A crise faz-nos esgravatar. Os nosso políticos, que não são gestores mas narcisistas, mostram os dentes branco-óptico em sorrisos mafiosos disfarçados de heróicos e de quem salvou o mundo. Típico de quem não os tem no sítio fruto de serem vítimas de uma shrinkflation da cultura dos tomates. Por isso, à custa dos outros 10 milhões, dão-se ao luxo de sorrir quando está tudo de rastos.
Assim, lá tive eu, como os outros 10 milhões, de esgravatar migalhas à procura do "menos mau" ao "preço menos caro" - porque não é, de facto, barato.
Quando cheguei ao gás engarrafado, achei que o "menos caro" seria, hoje, a Prio. Hoje, porque amanhã poderá ser mais caro: uma bilha de gás de 45kg custa 112€ com entrega gratuita, se comprada on-line.
"Porreiro pá!" como diria o outro. Toca a encomendar antes que...
Assim, seleccionei o bilha de 45kg, adicionei ao carrinho e finalizei a compra. Ora, sendo um novo cliente, tive de me registar. Eis, então, que me aparece a página de dados pessoais:

"País de entrega *"? Curioso! Também entregam noutro país? Toca a escolher para ver em que paises é que dá para entregar! Afinal, em mais nenhum! Para quê a opção, ainda por cima obrigatória! Bem, esquece lá e continuemos. Próxima página:

Aqui é que percebi o porquê do preço: é que para se pedir uma bilha de gás, tem de se facultar o número das cuecas?!? Ou não, se pensarmos que quem desenhou esta ficha não tinha bracinhos. Novamente são pedidas informações obrigatórias como "País de entrega*", "Data de nascimento*" e "Sexo*"! Pior: temos de concordar que "*Ao enviar estes dados está a aceitar a nossa Política de Privacidade", senão não continuas! Afinal, o sorriso branco-óptico também aparece junto coma privacidade...
Então é assim:
A isto chama-se "parolice informática". É o acto de ser-se parolo e achar que se sabe de informática. O Parolo não destingue quantidade da qualidade. A informática é o tratamento automático da informação. Para um parolo informático, quantidade de informação não é distinguida da qualidade da informação. O Parolo informático não um "Enginheiro de informática" formado numa universidade mas um "Inginheiro dos computadores" formado na escola da vida. Há também a diferença de que a festa de finalistas de um deles é um funeral...
Pedir informação "só porque sim" não faz desta um requisito para uma venda on-line. Não há mais para pedir? Se a Prio tem um sítio de internet que só suporta Português, porquê pedir o país de entrega?
Além do mais, pedir a data de nascimento é obrigatória para a compra de gás? Se é, que garantias têm de que o comprador não está a mentir na idade?
Por fim, não devia pedir o género até porque está mal:
1º Discriminam pessoas que se identificam como LGBT+;
2º Há bilhas diferentes para géneros diferentes?
3º "Escolha uma opção" : hmm... é melhor não!
4º Não se pede "Sexo *" mas "Género". Quando me pedem "Sexo *", a resposta é, para quem entende de informática, binária e exclusiva:
ou é "Sim *", ou é "Não *"